Vinhos de São Roque

HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

1º Fase

O cultivo da vinha em São Roque, foi tentado pela primeira vez pelos seus primeiros povoadores, no século XVII. Pedro Vaz de Barros, o fundador, ao estabelecer sua fazenda ao centro do Vale do Carambeí, além da pecuária e da agricultura de subsistência, plantou trigo e pode seguramente ser considerado o primeiro vinhateiro de São Roque.

Através de seus agregados e escravos, cultivou extensos vinhedos e fabricou, de acordo com as técnicas da época, o primeiro vinho sanroquense. Este fato assinala que, desde as suas origens, São Roque vinculou-se à vinicultura, cumprindo uma vocação em que o solo e o clima atuam como aliados.

Nada sabemos, de positivo, a respeito das condições em que esses vinhedos se desenvolveram, nem da qualidade dos produtos aí obtidos. Desapareceram com a morte de seus cultivadores, sem deixar qualquer traço na paisagem e na memória dos homens.

Fato curioso é que por um período de duzentos anos, desapareceram por completo, não apenas em São Roque, mas em toda a Província, as culturas da vinha, e, ao que tudo indica, por imposição da metrópole lusitana (Portugal) à sua colônia (Brasil).

 

2º Fase

É somente a partir de 1880 que ressurgiu em São Roque a segunda fase da vitivinicultura, graças à iniciativa, quase simultânea, de três pioneiros: o lavrador José Casali, o engenheiro da Estrada de Ferro Sorocabana Dr. Eusébio Stevaux, francês de origem, e o sanroquense Antonio dos Santos Sobrinho, o Santinhos, como era conhecido.

Dos três, apenas o Sr. Casali se dedicou à vinicultura com fins comerciais, mas todos eles tiveram seguidores.

O município apresentava condições ideais para a cultura da vinha, mas os métodos empregados na vinicultura eram os mais empíricos, pois os que a este ramo se dedicavam, seguiam preceitos muito antiquados, conforme haviam aprendido de seus antepassados, e sem nenhum apoio dos poderes públicos.

O cultivo da vinha, de fins do século XIX, até a primeira década do século XX, foi se desenvolvendo lentamente.

 

3º Fase

A partir de 1926, todavia, começou a adquirir grande impulso que consideramos tratar-se da 3ª fase da vitivinicultura em São Roque. Em 1934 se iniciou a produção de maneira racional e científica.

Houve a recuperação de vinhedos locais e fabricação de bom vinho, isentou os pequenos e grandes vinicultores do pagamento de impostos, passou-se a prestar assistência técnica por agrônomos especializados, com o ensino de métodos racionais de plantio e colheita da uva e instalão de um Posto de Análises de Vinhos.

Assim, tais medidas trouxeram considerável impulso à indústria vinícola, a recuperando. A produção foi aumentando ao mesmo tempo em que se aprimorava a qualidade.

Por volta de 1950, época de maior efervescência de São Roque como “Terra do Vinho”, a sua força econômica era a vitivinicultura, cuja produção aumentava de ano para ano.

Essa evolução pode ser apreciada no quadro abaixo: Ano- 1904-1905 – 393.000; 1920 – 292.300; 1940 – 800.490; 1947 – 1.919.000, 1948 – 2.380.000.

Tais dados mostram a juventude da região vitícola de São Roque. A sua produção nessa fase se baseou praticamente no cultivo de uma variedade de uva: a labrusca Isabel. Depois outras variedades entraram na formação da maioria dos vinhedos.

O predomínio da Isabel em nossos vinhedos se deve à sua rusticidade e resistência às condições de clima e solo da área vitícola, tal é a facilidade com que ela aí cresce e frutifica.

Muitos dizem que fazer vinho é uma arte, mas, com efeito, o melhor seria dizer que o bom vinho é resultado de muita técnica.

Houve tempos em que a produção de vinho era simples: esmagava-se a uva, adicionava-se o açúcar e deixava-se fermentar. Após o tempo de fermentação, engarrafava-se o vinho. Na realidade as coisas não são tão simples assim. Obter bom vinho é trabalho muito complexo. Muitos são os fatores que têm influência e todos são muito importantes. A química, a física e a biologia, estudando o vinho, criaram uma ciência que está sempre progredindo e descobrindo coisas novas.

Na década de 60, a facilidade dos transportes e de comunicações, concorreu para enorme valorização imobiliária de São Roque nos dias atuais. Mas esse fator de progresso, por outro lado, prejudicou a atividade agro-industrial da vitivinicultura. É que, com estupenda valorização das terras, grande parte dos viticultores extinguiu seus vinhedos, cuja manutenção era por demais trabalhosa, para lotear os terrenos e vende-los.

E assim desapareceram os grandes e belos vinhedos. E São Roque, que na década de 50 chegou a possuir uma centena de produtores de vinhos, entre grandes, médios e pequenos, hoje está em 13 vinícolas. Em São Roque, terra que se situa entre magníficas colinas, debruçadas sobre famosos vales, a vitivinicultura ainda poderá encontrar dias melhores, principalmente em razão da sua transformação em Estância Turística, em 1990.